Descrição enviada pela equipe de projeto. O Castelo da Coracera de San Martín de Valdeiglesias é patrimônio histórico da Comunidade de Madri. Foi construído em meados do século XV por D. Álvaro de Luna, Capitão-Perenal de Castilla e ente próximo ao Rei Juan II. Hoje em dia, a propriedade é particular/municipal. Para favorecer sua reavaliação pensou-se me transforma-lo em um espaço polivalente para a celebração de exposições, conferências, concertos de câmara, e atividades derivadas de um futuro destino possível para Castelo como o Museu do Vinho da Comunidade de Madri.
Foi elaborado um plano diretor, com objetivo de marcar as diretrizes a serem seguidas em seu futuro restauro, protegendo os terrenos vinculados, o entorno próximo e aqueles enclaves que, por sua especial situação, pudessem obstruir as vistas panorâmicas da fortaleza, com o objetivo final de transforma-la em um destino cultural e turístico de primeira classe, que excede os limites locais e regionais. Uma obra deste porte, financiada pelas prefeituras, precisou ser dividida em fases muito delimitadas.
A Torre da Homenagem é o volume mais destacado do conjunto, com uma planta praticamente quadrada, três torres em sua parede leste, e uma espessura média de paredes que ultrapassa os três metros. A altura, do ponto do solo do terreno até a varanda superior visível, é de cerca de 20 metros.
O estado prévio responde à reforma executada ha sessenta anos atrás e consta de um térreo transformado em adega, com acesso por uma abertura da mesma época, prévia ao primeiro ambiente e localizada na fachada sul. Este nível baixo terminava com uma abóboda de canhão, que encontrava-se totalmente rebocada e construída em tijolo maciço.
Por razões de defesa, as entradas foram implantadas em aberturas elevadas. A primeira pela parede oeste, que era acessada por meio de uma escada desmontável que permitia sua retirada em momentos de perigo. O segundo acesso, pela abertura localizada no volume nordeste no nível do primeiro pavimento que, por meio de uma ponte elevada, conecta com a chamada torre Albarrana.
Por meio da escada que percorre a lateral sul do edifício, chega-se a dois pavimentos nobres. Na metade do percurso há um pequeno espaço de chegada, onde se abrem, de um lado, o acesso à muralha e, do outro, ao primeiro pavimento. Nesse nível, encontra-se o que deveria ter sido a sala principal do edifício, provavelmente distribuída em vários ambientes.
Continuando pela escada e com um lance de degraus ornamentados de difícil datação, chega-se à sala superior. Este segundo pavimento abobadado, no qual se misturam aberturas medievais com outras recentes, havia importantes marcas de umidade nas rachaduras que se espalhavam pela superfície curva. Deste pavimento sai uma escada dentro da torre central que da acesso à cobertura. A sala curva onde chega é uma das intervenções mais frágeis desenvolvida nos anos quarenta do século passado, com grosseiras janelas antigas com duplo arco em todo seu perímetro, que foram corrigidas e adaptadas a dimensões menos pitorescas.
É destacável a solução adotada para a antiga adega que foi transformada em mostruário de vinhos e degustação dos mesmos, com acesso independente do exterior. Remetendo à antigas garrafeiras metálicas, que ainda sobrevivem em algumas casas, projetou-se uma estrutura metálica livre móvel, e independente das paredes, o que permite uma visão completa da sala abobadada. O revestimento do teto será aproveitado para uma pequena sala de conferências acessível a partir da praça das armas.
Os materiais pétreos foram deixados aparentes sempre que suas características e autenticidade aconselhassem a exposição, e foram limpos e rejuntados com acabamento similar aos dos materiais externos. Os arcos e abóbadas de tijolo passam por um critério similar, definindo um reboco paras as duas abóbadas de canhão, que, do contrário a algumas teorias, diz-se nunca terem sido deixadas aparentes, e, mesmo que tivessem sido, seu estado de deterioração superficial não permite a recuperação.
As aberturas externas foram fechadas com perfis de aço inoxidável tratado com jato de areia, sempre móveis e com seção de menor impacto que permita a completa percepção da abertura medieval. As duas salas principais ficaram diretamente conectadas por uma escada caracol metálica com piso contínuo de madeira curvada e um guarda corpo. Tudo isso é acessível por uma nova escada externa com degraus metálicos envolta por dois painéis paralelos de chapa de aço corten.